A filosofia de Aristóteles
se caracterizava, antes de tudo, pelo seu realismo, pela sua observação fiel da
natureza, pela sua objetividade científica, pelo seu rigor metodológico e pela
unidade harmônica do seu sistema que constitui uma síntese orgânica e
maravilhosa. Vejamos os aspectos fundamentais da filosofia aristotélica:
a) Para Aristóteles o
indivíduo é real e possui existência efetiva. É uma substância como a matéria e
a forma. No entanto, há que se distinguir entre os sentidos da substância,
determinando qual dentre eles é o mais próprio e o mais impróprio.
Conforme determinou G.
Reale, a substância é, num sentido impróprio, matéria; num segundo sentido, mais próprio, é o sínolo; e, num terceiro sentido e por
excelência, é a forma: ser é, pois, a matéria; ser, em grau mais elevado, é o
sínolo; e ser é, no sentido mais forte, a forma. Assim compreende-se por que
Aristóteles chamou a forma até mesmo de “causa primeira do ser” [ Metafísica, Z 17, 1041 b 28], justamente
enquanto informa a matéria e funda o sínolo. [Cf.: Reale, G. História da filosofia antiga, vol. II,
pg. 358.]
b) Causa é todo princípio que influi sobre a existência de um ser.
Aquilo que estrutura e que condiciona a sua existência. Há quatro gêneros de
causa: a material representa a
matéria de que a coisa é feita; a formal
constitui aquilo que, acrescentado à matéria, a determina ser esta ou aquela
coisa; a eficiente representa aquele
por quem ou aquilo por intermédio de que a coisa é feita; a final constitui aquilo para que ou em
vista do que a coisa é feita.
c) Os seres mudam em virtude
do ato e da potência. Ato é perfeição, potência é capacidade de perfeição. Toda
mudança é uma passagem da potência ao ato. Esta passagem chama-se movimento, no
sentido ontológico. Todos os seres são compostos de potência e ato,
exceto Deus que é Ato Puro.
d) A mudança sugeriu a
Aristóteles a teoria da matéria e da forma. Em toda transformação há um
substrato que não se altera e passa de um estado a outro - é a matéria O que a matéria perde ou adquire
nas mudanças é a forma. Todo corpo é
composto de matéria e forma. Antes de receber a forma, a matéria diz-se em
potência, e, depois de recebê-la, em ato.
e) O homem, como todos os
seres da natureza, é composto de matéria
e forma. O corpo é a matéria e a alma é a forma.
Assim, o homem é uma substância composta, resultante da união do corpo e da
alma. Distinguem-se três espécies de alma, correspondentes aos três graus de
vida: vegetativa, sensitiva e racional. No homem, a alma é o princípio de todos os fenômenos
vitais. Os instrumentos de sua atividades são de cinco espécies: nutritiva,
sensitiva, apetitiva, locomotiva e racional.
f) Existem duas formas de
conhecimento: o sensitivo e o intelectivo, distintos, mas intimamente
relacionados. As idéias, formas de conhecimento intelectual, não são inatas.
São adquiridas pela alma, através do processo de abstração, realizado sobre a
imagem sensitiva, por intermédio de uma faculdade especial - a inteligência
ativa.
g) O fim supremo do homem é
a felicidade. A felicidade é o resultado do desenvolvimento harmonioso das
tendências (potencialidades) de um ser. É a conseqüência natural do exercício
perfeito da atividade que o especifica. Sendo a razão a atividade
característica e essencial do homem, a contemplação de Deus, que é a verdade
mais alta e inteligível, será o seu fim último e a sua felicidade suprema. O
Meio de alcançá-la é a virtude que consiste em dominar os apetites irracionais
e em subordinar a atividade prática ao império da razão.
h) Em síntese, podemos dizer
que Aristóteles repudia a teoria platônica das idéias por um motivo básico:
nela os conceitos são todos substância apenas (conteúdo) e não sujeito (forma)
- elas possuem uma simplicidade inerte sem qualquer necessidade inerente de dar
forma a si mesmas e encarnar-se. Sendo assim, suas várias manifestações
sensíveis permanecem um mistério. Elas não podem, assim, explicar
convenientemente a realidade das coisas segundo o movimento auto-constitutivo
das mesmas, porque não mostram a estrutura interior à própria coisa que lhe
obriga a ser o que é.
A matéria é aquilo que dá à
coisa a possibilidade de ser, a forma efetiva a possibilidade dada pela matéria
organizando-a em uma unidade segundo a perspectiva da finalidade, fazendo assim
que a mesma penetre no reino dos fins e inicie seu movimento auto-construtivo
peculiar. Explica-se, portanto, não só o que a coisa é, mas também por que e
como ela vem a ser o que é.
O mundo para Aristóteles
compõe-se, portanto, destas duplas determinações: matéria e forma - potência e
ato - sendo assim, ele não é apenas “matéria inerte” mas, essencialmente,
“força criativa”.
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