segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS DA FILOSOFIA ARISTOTÉLICA


A filosofia de Aristóteles se caracterizava, antes de tudo, pelo seu realismo, pela sua observação fiel da natureza, pela sua objetividade científica, pelo seu rigor metodológico e pela unidade harmônica do seu sistema que constitui uma síntese orgânica e maravilhosa. Vejamos os aspectos fundamentais da filosofia aristotélica:

a) Para Aristóteles o indivíduo é real e possui existência efetiva. É uma substância como a matéria e a forma. No entanto, há que se distinguir entre os sentidos da substância, determinando qual dentre eles é o mais próprio e o mais impróprio.
Conforme determinou G. Reale, a substância é, num sentido impróprio, matéria; num segundo sentido, mais próprio, é o sínolo; e, num terceiro sentido e por excelência, é a forma: ser é, pois, a matéria; ser, em grau mais elevado, é o sínolo; e ser é, no sentido mais forte, a forma. Assim compreende-se por que Aristóteles chamou a forma até mesmo de “causa primeira do ser” [ Metafísica, Z 17, 1041 b 28], justamente enquanto informa a matéria e funda o sínolo. [Cf.: Reale, G. História da filosofia antiga, vol. II, pg. 358.]

b) Causa é todo princípio que influi sobre a existência de um ser. Aquilo que estrutura e que condiciona a sua existência. Há quatro gêneros de causa: a material representa a matéria de que a coisa é feita; a formal constitui aquilo que, acrescentado à matéria, a determina ser esta ou aquela coisa; a eficiente representa aquele por quem ou aquilo por intermédio de que a coisa é feita; a final constitui aquilo para que ou em vista do que a coisa é feita.

c) Os seres mudam em virtude do ato e da potência. Ato é perfeição, potência é capacidade de perfeição. Toda mudança é uma passagem da potência ao ato. Esta passagem chama-se movimento, no sentido ontológico. Todos os seres são compostos de potência e ato, exceto Deus que é Ato Puro.

d) A mudança sugeriu a Aristóteles a teoria da matéria e da forma. Em toda transformação há um substrato que não se altera e passa de um estado a outro - é a matéria O que a matéria perde ou adquire nas mudanças é a forma. Todo corpo é composto de matéria e forma. Antes de receber a forma, a matéria diz-se em potência, e, depois de recebê-la, em ato.

e) O homem, como todos os seres da natureza, é composto de matéria e forma. O corpo é a matéria e a alma é a  forma. Assim, o homem é uma substância composta, resultante da união do corpo e da alma. Distinguem-se três espécies de alma, correspondentes aos três graus de vida: vegetativa, sensitiva e racional. No homem, a alma é o princípio de todos os fenômenos vitais. Os instrumentos de sua atividades são de cinco espécies: nutritiva, sensitiva, apetitiva, locomotiva e racional.

f) Existem duas formas de conhecimento: o sensitivo e o intelectivo, distintos, mas intimamente relacionados. As idéias, formas de conhecimento intelectual, não são inatas. São adquiridas pela alma, através do processo de abstração, realizado sobre a imagem sensitiva, por intermédio de uma faculdade especial - a inteligência ativa.

g) O fim supremo do homem é a felicidade. A felicidade é o resultado do desenvolvimento harmonioso das tendências (potencialidades) de um ser. É a conseqüência natural do exercício perfeito da atividade que o especifica. Sendo a razão a atividade característica e essencial do homem, a contemplação de Deus, que é a verdade mais alta e inteligível, será o seu fim último e a sua felicidade suprema. O Meio de alcançá-la é a virtude que consiste em dominar os apetites irracionais e em subordinar a atividade prática ao império da razão.

h) Em síntese, podemos dizer que Aristóteles repudia a teoria platônica das idéias por um motivo básico: nela os conceitos são todos substância apenas (conteúdo) e não sujeito (forma) - elas possuem uma simplicidade inerte sem qualquer necessidade inerente de dar forma a si mesmas e encarnar-se. Sendo assim, suas várias manifestações sensíveis permanecem um mistério. Elas não podem, assim, explicar convenientemente a realidade das coisas segundo o movimento auto-constitutivo das mesmas, porque não mostram a estrutura interior à própria coisa que lhe obriga a ser o que é.
A matéria é aquilo que dá à coisa a possibilidade de ser, a forma efetiva a possibilidade dada pela matéria organizando-a em uma unidade segundo a perspectiva da finalidade, fazendo assim que a mesma penetre no reino dos fins e inicie seu movimento auto-construtivo peculiar. Explica-se, portanto, não só o que a coisa é, mas também por que e como ela vem a ser o que é.
O mundo para Aristóteles compõe-se, portanto, destas duplas determinações: matéria e forma - potência e ato - sendo assim, ele não é apenas “matéria inerte” mas, essencialmente, “força criativa”.



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